quarta-feira, 28 de março de 2012

como criar escolas menos aptas, por nuno crato

Gosto muito do Darwin e gosto muito do darwinismo. Sou mesmo teimoso ao ponto de não descartar esse gosto, quando em ideias várias encontro visões miúpes a que chamam darwinismo social. O que é isso? É achar que a selecção natural extravasa o campo da biologia e alcança a sociedade, ao ponto de chamar apto ou inapto a um indivíduo, mediante a sua condição social: medidas que visam fomentar a igualdade são prejudiciais porque atrasam a evolução natural da sociedade.

Em primeiro lugar, acho que essa é uma visão distorcida, porque esquece que no curso da evolução houve uns aptos quaisquer que ganharam coisas fantásticas como consiência, valores éticos, solidariedade, e um outro rol de mariquices que nos afastam dos condóminos de um qualquer jardim zoológico e que permitiram, isso sim, fazer as sociedades evoluir.

Em segundo lugar, vem a notícia de que o ministro nuno crato quer agora deixar ao critério das escolas a criação de turmas de alunos bons e alunos maus, muito ao jeito de dizer que se pusermos aptos para um lado e inaptos para outro, podemos facilmente conduzir uma sociedade à sua evolução natural: os inaptos hão-de desaparecer mais cedo ou mais tarde, mais vale desistir deles quanto antes. Para acelerarar a evolução, leia-se.

Em terceiro lugar, vem um vídeo curioso do sistema de educação finlandês. O título do vídeo chama-se revolucionário, mas eu acho que bastava dizê-lo sensato. Fala de igualdade.

Em quarto lugar, vem a conclusão destes pontos meios soltos. E eu concluo que este governo não é competente, nem naquilo que melhor sabe fazer, isto é, instaurar uma espécie de darwinismo social para magicamente fazer a sociedade evoluir. O exemplo finlandês mostra-nos que separar bons e maus numa escola apenas cria uma coisa: um sistema de educação, no seu todo, inapto. No final de tudo, na mesma linguagem darwinista social da qual discordo, o governo apenas está a roubar pedaços de aptidão a uma sociedade.





segunda-feira, 26 de março de 2012

Serviço público n'A Mentira

Fernando, antes de mais espero que estejas vivo, que estejas bem, de saúde e a cheirar bem.

Sei que estás longe e que infelizmente, não tiveste oportunidade de assistir ao grande congresso. É por isso que hoje te estou a escrever, para te passar um resumo da pouca vergonha que aqueles filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos andaram a fazer durante um fim de semana inteiro!



Uma pouca vergonha.

PS: Epá, volta rápido que o nosso Arménio está a precisar de uma mãozinha!

sábado, 24 de março de 2012

E ninguém vai preso?

- "Governo Regional esconde encargos financeiros, avisa o Tribunal de Contas" (RTP)

- "Parque Escolar gastou 260 milhões em obras ilegais" (DN)

- "Tribunal de Contas chumba TGV" (Agência Financeira)

- "Como a Madeira podia ter evitado a subida de impostos" (Má Despesa Pública)

- "500 milhões de euros pagos ilegalmente pela Parque Escolar" (Expresso)

- "Parque Escolar ultrapassou o limite de endividamento em 22,9%" (Económico)

Da série: "Frases que impõem respeito" (V)

"Quem anda sempre com um martelo na mão, tudo lhe parece um prego" Pedro Passos Coelho, no Congresso do PSD, que decorre no Pavilhão Atlântico, em Lisboa.

Explicações sobre cargas policiais

... O Bloco pergunta [Esquerda.net]:

O Bloco requereu a presença do Ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, para dar explicações sobre as cargas policiais, nomeadamente contra jornalistas, no dia da Greve Geral.

... O ministro responde [Expresso]:

Sobre os protestos em geral, Macedo recusou comparações que considera não terem "nenhuma razão de ser", nomeadamente com a Grécia, e sublinhou que no dia da greve geral "houve em todo o país 38 manifestações, não houve nenhuma situação, a não ser pequenos incidentes sem nenhuma importância, na generalidade dessas manifestações".

O ministro frisou ainda as diferenças com os manifestantes do Chiado, referindo que "houve coisas que aconteceram antes" da intervenção da polícia, como "arremesso de pedras, arremesso de louça que estava em mesas de esplanadas, agressões a polícias".

Como Evitar Levar Nos Cornos da Polícia #254

" Não vandalizes um estabelecimento privado criando uma barreira de cadeiras que impede a passagem da Polícia. Mais ainda, não atires as cadeiras à polícia com um riso estúpido na cara de quem está a ser um granda rebelde"

Manif de 22 de Março

- "Nós não estávamos a fazer nada."

- "absolutamente nada."

- "os políticas é que são uns fascistas!"

- "os políticas são brutos como no tempo da ditadura!"

...

Tá bem, abelha.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Quando eu for grande quero ser uma PPP (II)

João Miranda, um osso duro de roer e pessoa que considero muito, conta uma parábola, que transcrevo:

"Aqui há uns anos o ministro de um país moderno decidiu dinamizar as exportações. Foi ter com um fabricante de frigoríficos com quem travou o seguinte diálogo:

Ministro: Olhe lá, o governo tem um projecto para dinamizar as exportações. Verificamos que não exportámos para o Pólo Norte, verificámos ainda que o Pólo Norte tem a menor quantidade de frigoríficos do mundo. Vai daí surgiu uma ideia: vamos exportar frigoríficos para o Pólo Norte. Quer ser o nosso parceiro?
Fabricante de frigoríficos: Depende. Dão-me umas cláusulas leoninas no contrato?
Ministro: Não pode ser. Temos que defender o interesse público.
Fabricante de frigoríficos: Então não estou interessado.
Ministro: Ok. Dou-lhe 2 cláusulas leoninas.
Fabricante de frigoríficos: 4
Ministro: 3
Fabricante de frigoríficos: Ok. De acordo.
Ministro: Negócio fechado?
Fabricante de frigoríficos: Ainda não. Só uma perguntinha: quem fica com o risco de os frigoríficos não se venderem?
Ministro: Você, claro. Você é que é o empreendedor.
Fabricante de frigoríficos: Bem, então não me interessa.
Ministro: Ok. Nós ficámos com o risco.
Fabricante de frigoríficos: Negócio fechado."

A parábola de João Miranda acaba aqui. Porém, acho que não devia. E continuo-a, por minha conta e risco:

Fabricante de frigoríficos: Ei, Ministro, espere lá. E nos próximos governos, que garantias tenho eu de que os novos ministros sejam assim gente com visão, e respeitem o nosso acordo?
Ministro: Ó homem, você não vai fazer um contrato comigo, mas sim com o Estado. E quem o vai redigir é quem nós sabemos - fica uma coisa à prova de bala. E não se aflija: o negócio vai correr bem, era preciso que o País ficasse à beira da bancarrota para o Amigo arriscar realmente alguma coisa. E isso não vai suceder, pois não?
Fabricante de frigoríficos: Claro que não. Negócio fechado.

[José Meireles Graça no Forte Apache]



Foto do Fabricante de frigoríficos no final da reunião com o ministro:

Coisas fáceis de se perceber...

Como explicar a notícia de hoje que os "Juros portugueses a dois anos descem abaixo dos 11% pela primeira vez desde Junho"?


21 Março 2012, 10:36, Jornal i: "os juros da dívida soberana portuguesa seguiam em Portugal em mínimos a dois anos nos 11,7%"

21 Março 2012, 20:00, Jornal de Negócios: "Tribunal de Contas chumba contrato do TGV"

21 Março 2012, 21:57, Agência Financeira: "Governo desiste «definitivamente» do TGV.
Chumbo do Tribunal de Contas «encerra» polémica em torno da alta velocidade. Executivo abandona projeto."

22 Março 2012, 16:39, Jornal de Negócios: "As taxas de juro implícitas das obrigações a dois anos estavam acima de 22% no final de Janeiro. Ontem, desceram para os 11,7%. Hoje, estão a recuar 75,9 pontos base para negociarem nos 10,9%."

Gfk vs Marktest (II)

Dados da medição de audiências televisivas voltaram a apresentar resultados anormais.

A GFK diz que o jogo do Sporting com o Manchester City teve mais meio milhão de espectadores que o Benfica-Zenit para a Liga dos Campeões.

Gfk vs Marktest

quarta-feira, 21 de março de 2012

hoje é dia mundial da poesia?


fica uma minha favorita

Da série: "Frases que impõem respeito" (IV)

"Se nos demitirmos da intervenção activa, não passaremos de desportistas de bancada, ou melhor, de políticos de café." FSC

(1.º discurso político integrado na campanha para as eleições - Teatro Constantino Nery, Matosinhos, 12 de Junho de 1969)

Carrega Benfas! (take 2)

Depois de um brilhante take 1... só mesmo um take 2!

Mais um bom vídeo da filosofia "carrega benfas".

domingo, 18 de março de 2012

Fotografias de um comício do Partido Progressista (II)


(carregar na imagem para ver em formato grande)
Estudantes universitários que lutam pelo Progresso, que defendem o Progressismo e que e lutam civicamente por uma sociedade mais Progressista!

Fotografias de um comício do Partido Progressista


Crianças do ensino básico que lutam pelo Progresso, que defendem o Progressismo e que e lutam civicamente por uma sociedade mais Progressista!

Santa Comba Dão lança marca "Salazar” para vender produtos locais

Salazar vai ser marca registada para potenciar a economia do concelho que viu nascer o antigo Presidente do Conselho, Santa Comba Dão, e um dos primeiros produtos com esse cunho será o vinho “Memórias de Salazar”.



3 comentários:

1) Depois do turismo religioso, turismo de desporto, turismo de saúde econturismo e outros, chega finalmente o turismo fascista. Proponho, desde já, um roteiro que podia começar na António Maria Cardoso e acabar no tarrafal. [RMD no 31 da Armada]

2) Duvido que a autarquia de Santa Comba Dão possa registar a marca Salazar. Há muitos anos que o Benfica a registou em seu nome. [José de Pina, no És a nossa Fé!]

3) O Fernando ainda não disse/escreveu nada?

Da série: "Eu estou falido. A massa falida é que tem que pagar aos credores!"

No século XXII ainda vai haver estudiosos a estudar este que é um dos maiores burlões Portugueses de todos os tempos (ex).

A Arte, o Engenho, o Sentimento, … tudo resumido em 20 minutinhos. Apreciem:


[Via O Insurgente]

Quem não esteve no lançamento de António Costa?

A sala do Rei, na estação do Rossio, foi manifestamente pequena para a quantidade de gente que quis ver (e ser visto) no lançamento do livro de António Costa, "Caminho aberto".

O acontecimento literário de quarta-feira à noite tornou-se num verdadeiro evento político onde só fez falta quem lá não esteve. E estes foram muito poucos.

sábado, 17 de março de 2012

A hipótese Álvaro

Ele pode ter falta de jeito para a política (e o que é ter jeito? É ser como Sócrates? Como Durão? Como Cavaco?). Ele pode ser insuportavelmente ‘contentinho’, mas a minha verdadeira hipótese sobre Álvaro Santos Pereira é que lhe fez muita falta ser de uma confraria, de um clube, de uma academia do bacalhau, de um grupo da sueca ou ter morado na linha de Cascais. A pertença é essencial para um ministro que lida com o comum dos empresários portugueses. Porque o comum dos empresários portugueses, mais do que ter lucro, quer alguém que conheça o ministro que dá (ou pode dar) subsídios. Para tal, socorre-se da pequena rede, do “eu marco-te um jantar com ele”, do “eu sei perfeitamente quem é”, do “ainda é primo do tio Fulano”. Tivesse o Álvaro uma sólida carreira almoçarista e metade do que lhe aconteceu jamais lhe aconteceria.

Repare-se como a oposição, os jornais e os comentadores referem ad nauseam a sua vida no Canadá e o seu “profundo desconhecimento” de Portugal. Não há peça sobre o Álvaro onde tal não seja mencionado. As receitas académicas, dizem, não se aplicam por cá. Porque em Portugal tudo é diferente. No Canadá, quando há um problema complicado, dorme-se sobre o assunto; em Portugal almoça-se sobre o assunto. Eis toda uma diferença!

Depois, há o resto. O ministério grande de mais, a esperteza do aparelho do PSD, o supercontroleiro Gaspar — tudo aspetos que contribuíram para o desastre de Álvaro. Mas eis que aqueles azougados empresários, tão descontentes com o ministro da Economia, logo que perceberam que as decisões podiam passar para as Finanças, correram em socorro de Álvaro! É que, pior do que alguém que vem do Canadá e mal se conhece, é um contabilista que lhe dê para fazer contas aos investimentos!

O Álvaro lá ganhou o seu round e o seu direito a tocar na bola. Não porque subitamente ficasse melhor; apenas porque com Gaspar nem almoços há...

[Henrique Monteiro, Expresso, 10 de Março de 2012]

Quando eu for grande quero ser uma PPP

Quando eu for grande, o Governo não me vai poder tocar. Os meus direitos estarão garantidos, os meus deveres serão os que eu quiser. Vou ser uma PPP, com lucro garantido e risco alheio

Quando eu for grande, o Estado vai ter medo de mim. Vou ter sempre à mão os contratos que assinei em tempos de vacas gordas com políticos que entretanto contratei. E vou ter sempre por perto os meus advogados e os meus consultores. Sempre que o Estado me bater à porta, vou mostrar cláusulas blindadas e folhas de Excel com projeções futuras. Projeções de tráfego, de receitas, de rendas. Vou mostrar a minha progressão aritmética de receitas. E vou ser indiferente à progressão geométrica de despesas do Estado que me contratou.

Da Vasco da Gama ao túnel do Marão, dos milhões de Bruxelas a Mário Lino, do project-finance às PPP, fui eu que ajudei o Estado. Sim, fui eu que ajudei um Estado que queria fazer muita coisa e tinha dinheiro para pouco. Eu ajudei. E eu fiz. Pontes, hospitais, túneis. Tive sucesso e conquistei novos mercados. Quem constrói estradas levanta torres eólicas. E quem vive do vento faz-se ao mar e emerge submarinos. Assegurei o presente de muita gente e garanti o meu futuro.

Ajudei políticos a brilhar, a agradar ao povo, a melhorar a vida dos eleitores prestes a irem a votos. Adiantei crédito fácil quando foi preciso. Contratei economistas para explicar a políticos o que era o leverage, que só os tontos é que não tinham dívida, que dez milhões ‘levantam’ cem no mercado, que a multiplicação dos pães e dos peixes era uma inspiração, que a zona euro era um seguro de vida. E que a vida era curta.

Soube mudar com os tempos. Nasci no liberalismo, mas fui feliz na Terceira Via. Temi pelo futuro com a crise do Lehman, mas o regresso a Keynes garantiu o futuro dos meus filhos e netos. Percebi depressa que os meus melhores amigos não eram os colegas da Católica e da Nova que tinham ido para a Goldman e passado pelo INSEAD e pelo IESE. Afinal, os de esquerda eram mais destemidos, acreditavam mesmo que aquela ponte e aquele hospital iam sair em conta. Tinham lido tarde o Giddens e vagamente o Popper. E deslumbravam-se com muita facilidade. Melhor que os do PS, só mesmo os ex-pc, que tinham passado férias na Roménia. Olhavam para os meus powerpoints como para uma montra da Tiffany sem alarme.

Sei que o Estado quebra contratos. Com pensionistas, funcionários, fornecedores, a quem não paga. Lamento. Têm por onde cortar. A mim não me tocam. Tenho obra feita. E está tudo por escrito. Aumentem os passes, as tarifas, as portagens, confisquem impostos ou pensões, façam o que quiserem. Já avisei o sindicato bancário suíço a quem vendi o meu contrato. E também liguei aos advogados de Londres. Sabem quanto eles ganham à hora? Deviam saber, são vocês que pagam. Eu mando a conta.

[Ricardo Costa, Expresso, 10 de Março de 2012]

momento musical



o felipe há-de nos explicar, se é fado ou bossa nova

sexta-feira, 16 de março de 2012

Aperta com eles Sá Pinto!







The day ater:

Daily Mail: «Miserable night for Manchester.»

BBC: «A disappointing night for Manchester.»

The Independent: «Too little, too late for sloppy City.»

Daily Mirror: «So close but so far for Mancini's men.»

Daily Telegraph: «Roberto Mancini claimed his mistake in underestimating Sporting Lisboa led to Manchester City's Europa League exit at the hands of the Portuguese outfit.»

Guardian: «Mancini added: "I made a mistake in the first game when I prepared because, after Porto, to play against Sporting I thought was maybe easy, but football is never easy."»

The Sun: «More than £400million spent and still it's same old City as they were the nearly men again.»

[Via És a nossa Fé!]

Sporting tu és a minha vida, eu sem ti não sei viver!


[Via És a nossa Fé!]

Na guerra, até à última gota!


[Via És a nossa Fé!]

E mai nada!


[Via És a nossa Fé!]

quinta-feira, 15 de março de 2012

Para dar cabo do futebol em Portugal

Se bem me lembro o sr. Mário Figueiredo foi eleito Presidente da Liga de Futebol com alguma surpresa geral. Se também a memória não me falha, a sua vitória deveu-se ao facto de ter feito um trabalho de formiga, granjeando o apoio maioritário dos pequenos clubes, prometendo o alargamento da liga para 18 clubes.

Houve quem pavlovianamente rejubilasse com esta patuleia em que triunfaram os pequenos contra os grandes. Para mais o sr. Mário Figueiredo defendia os pequenos interesses contra os grandes interesses. Sucede que neste caso small is ugly, porque os grandes interesses correspondem aos interesses da maioria dos adeptos, ao passo que os pequenos e paroquiais interesses são meramente políticos.

Na linguagem crua do negócio, dir-se-á que foram defendidos os interesses dos pequenos fornecedores contra, e lesando bastante, os interesses da maioria dos clientes. Nada de novo em Portugal, é sempre isto que costuma acontecer.

Para não dizerem que falo no ar fiz uma breve análise a partir dos dados apresentados no site da Liga. A métrica utilizada foi a do número de espectadores dos estádios de futebol desde a época 2007-2008 até à época 2010-2011, as únicas disponíveis no dito site. Comparam-se para cada época o total de espectadores com o total dos 4 clubes com maiores assistências e com os 4 clubes com menores assistências.

A disparidade entre o topo e a base é gigantesca e apostava singelo contra dobrado que não tem paralelo na Europa futebolística. Os 4 clubes com mais espectadores são frequentados em média por 74% (!!) do total de espectadores de futebol em Portugal.

No topo, além dos óbvios 3 grandes, só na época passada surge o Braga em detrimento do Vitória de Guimarães. Na base é interessantíssimo verificar que o Paços de Ferreira, o Nacional e a Naval surgem em todas as 4 épocas entre os que têm mais baixa assistência. Depois lá vêm o Estrela da Amadora enquanto não desceu e o Rio Ave depois de subir.


Ao aumentar de 16 para 18 o número de clubes participantes na Liga Sagres Zon a partir da parte de baixo da tabela (não consta que ele vá convidar o Real Madrid e o Barcelona a participarem no campeonato português…) o sr. Mário Figueiredo garante aumentar esta absurda disparidade. O que ganham os grandes clubes? Pouco. O que ganham 74% dos adeptos? Nada. O que ganham os interessezitos locais (presidentes de câmara, dirigentes do Desportivo, influentes da terra, empreiteiros da zona, etc…)? Peso. Um peso em nada correspondente à sua influência no negócio, perdão, no futebol.

Kony 2012: Viral video for the misinformed? (IV)

Vejam um "TOP 5" do que anda a circular por aí na net:

1- Kony 2012: Viral video for the misinformed?

2- We got trouble.

3- Kony 2012 video goes viral, and so do concerns about its producers

4- Kony 2012: what's the real story?

5- It works every time

Kony 2012: Viral video for the misinformed? (III)

“… irrita-me um bocado a viralidade e importancia que dão a este assunto quando na porta do lado há coisas tão más e logo ali....tens noção que já há grupos de facebook só de portugal para juntar pessoas em reuniões tipo campanha pela captura do kony?
e o o vizinho que todos os dias dá sovas no filho e na mulher? (…) não se excitem todos por causa de um video…”


[Miguel Viana, mais conhecido por "Ximpa". Um gajo porreiro!]

Kony 2012: Viral video for the misinformed? (II)

Críticas colocam campanha Kony 2012 debaixo de fogo

Depois de mais de 78 milhões de visualizações - uma semana depois de ter sido publicado -, as críticas ao vídeo Kony 2012 aumentam cada vez mais de tom. Primeiro foram as autoridades ugandesas a refutar o vídeo e agora são os criadores do mesmo que estão a ser questionados.

Os críticos do vídeo nos Estados Unidos e na Europa denunciaram as suas características simplistas - ao jeito de propaganda - e o site Charity Navigator , que avalia a credibilidade das associações de solidariedade, questionou a falta de transparência financeira dos promotores.


[Fonte: Expresso]

Kony 2012: Viral video for the misinformed?

Vítimas de Joseph Kony dizem que vídeo surgiu demasiado tarde

Vítimas do senhor da guerra ugandês Joseph Kony, procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), afirmaram hoje que o vídeo sobre as atrocidades cometidas no Uganda, a circular na Internet desde da passada semana, surgiu tarde demais.

Onde estavam estes grupos quando estavamos a ser mortos por Kony, perguntou Angella Atim, cujo braço esquerdo foi cortado dois dias depois de ter sido capturada pelos rebeldes.

Onyango Kakoba, representante do Parlamento Pan-Africano, reconheceu a iniciativa da ONG, mas acrescentou que "a iniciativa devia ter surgido na altura certa, e não agora, que Kony foi derrotado no Uganda".

Para Solomon Kigane, missionário no norte do Uganda, a "situação mudou da guerra para a paz e a população apenas quer reconstruir e voltar às suas vidas normais".

Para o governo ugandês, trata-se de considerar as realidades atuais da situação, lembrando que o LRA foi repelido (pelo exército) em meados de 2006 e atualmente é apenas um grupo diminuído e enfraquecido cujos efetivos não ultrapassam os 300 homens e cujo líder deverá estar escondido na vizinha República Centro-Africana.

"É errado sugerir que ainda há guerra no Uganda", disse Fred Opolot, um porta-voz do governo do Uganda. "Se é essa a impressão que querem transmitir, então estão a fazê-lo apenas para aumentarem os seus recursos financeiros", acusou.


[Fonte: Expresso]

A que se deve o sorriso, Mexia?





[Via Forte Apache]

E se o PS tivesse ganho as eleições?

segunda-feira, 12 de março de 2012

the meaning of life (IV)

Quando era pequena diziam-lhe a meio caminho entre o sério e o vão, tu vais ser costureira como a tua tia. É ingrato olhar para uma criança que brinca com meia dúzia de linhas e encontrar no cenário traços de um ganha pão. As pessoas crescidas são assim, a partir de certo estado são demasiado maduras para suportar a inocência, demasiado sérias para desvendar graça nos gestos simples e demasiado práticas para conceber a inconsequência. Não havia nada mais inocenete, simples e inconsequente do que a forma atabalhoada com que a Leonor estragava, rompia e cosia sem coser os vestidos da sua única boneca.

Hoje, sentada no canto da sala recordava esse tempo. Sabia como era ávida a sua tia, como ás vezes olhava para ela sem distinguir onde começava o pano e acabavam as suas mãos

- és de seda tia

e a tia gracejava. Lembrou-se que numa tarde ficaram sozinhas no sofá, caladas até que a coragem da Leonor perguntou, trabalhas tão rápido para ter mais tempo para brincar? A tia respondeu sem desviar os olhos da agulha, que não, que trabalhava rápido para ter mais tempo para trabalhar. Estava um calor abrasador essa tarde. A mãe foi buscá-la quase à noitinha. A essa altura, já a Leonor tinha entendido que a tia não era de seda, era carne, ossos e suor. Era feia, como as pessoas crescidas.

domingo, 11 de março de 2012

"Sem ela, um jornal de referência transforma-se num blogue de maledicências e arruaça"

Campeão.

http://www.publico.pt/Media/expresso-prescinde-de-cronicas-de-mario-crespo-apos-critica-violenta-ao-jornal-1537220

sábado, 10 de março de 2012

segunda-feira, 5 de março de 2012

the meaning of life (III)

O que mais irrita Leonor é ouvir a filha barafustar com o jantar, não gosto de couves ou não gosto de carne, não gosto de ti. A cozinha encolhe e aperta uma contra outra, as paredes juntam-se e partem os pratos, o tecto cai e entorna o sumo de laranja dos copos. Leonor esgueira-se do cubículo que sobrou da divisão e entra no quarto. Sabe que o seu dia acabou. Como esse, habituou-se a arranjar outros pequenos gestos para marcar o compasso do quotidiano: por exemplo, de manhã come torradas para saber onde fica o princípio do dia. Acha as torradas a melhor forma que alguém pode ter para começar o que quer que seja. Quando não toma pequeno almoço dá por si numa cozinha do tamanho de um caixote, a saber que o dia acabou sem sequer dar pelo seu início.


Uma ou outra sexta-feira, o fim do seu dia chega mais tarde. A filha fica a brincar com os primos na casa da avó e a cozinha conserva o seu tamanho próprio. Nessas noites e depois de jantar, Leonor põe Bach no gira-discos e batom nos lábios. Saí com as amigas que sobraram da universidade. Se a noite está fria, repara na respiração que sai da sua boca vermelha, sente que a cada suspiro deita fora um pouco de si. Sente que está a ficar velha mas não velha como o gato que tinham, morreu e lhe custou explicações



- mãe, onde está o bolinhas



velha porque os vestidos lhe assentam tortos e velha de imaginar o ex-marido a comer torradas com outro alguém.



- deixei o bolinhas num sitio frio, não queria comer as couves